(Poema medieval do séc. XIII - o texto original é em latim)
Estava a Mãe dolorosa
chorando junto à cruz
da qual seu filho pendia.
Sua alma soluçante,
inconsolável e angustiada,
era atravessada por um punhal.
Ó, que triste e aflita
estava a bendita Mãe
do Filho unigênito !
Transpassada de dor,
chorava vendo
o tormento do seu Filho.
Quem poderia não se entristecer
ao contemplar a Mãe de Cristo
sofrendo tanto suplício ?
Quem poderia contar as lágrimas
vendo a Mãe de Cristo
dolorida junto ao seu Filho ?
Pelos pecados do seu povo
Ela viu Jesus no tormento,
flagelado por seus súditos.
Viu seu doce Filho
morrendo, desolado
ao entregar seu espírito.
Ó mãe, fonte de amor,
faz com que eu sinta toda a sua dor
para que eu chore contigo.
Faz com que meu coração arda
no amor a Cristo Senhor
para que possa consolar-me.
Mãe Santa, marca profundamente
no meu coração
as chagas do teu Filho crucificado.
Por mim teu Filho, coberto de chagas,
quis sofrer seus tormentos;
quero comparti-los.
Faz com que eu chore
e que suporte com Ele a sua cruz
enquanto dure a minha existencia.
Quero estar em pé,
ao teu lado, junto à cruz,
chorando junto a Ti.
Virgem de virgens preclara,
não sejas rigorosa comigo,
deixa-me chorar junto a Ti.
Faz com que eu comparta a morte de Cristo,
que participe da sua Paixão
e que rememore as suas chagas.
Faz com que me firam as suas feridas,
que sofra os padecimentos da cruz
pelo amor do teu Filho.
Inflamado e elevado pelas chamas
seja defendido por Ti, ó Virgem,
no dia do juízo final.
Faz com que eu seja custodiado pela cruz,
fortalecido pela morte de Cristo
e confortado pela sua graça.
Quando o corpo morra,
faz com que minha alma alcance
a glória do paraíso.
Amém. Pelos séculos dos séculos
NOTA EXPLICATIVA: O "Stabat Mater" é um poema medieval, que segundo a tradição, foi escrito no século XIII. O poema é tão bonito que seu texto foi usado por vários músicos: Foi escrita em forma de canto gregoriano, em forma de polifonia sacra e até em forma de ópera. Foi musicada por Bach, Pergolesi, Haydn, Rossini, etc...
Os monges beneditinos de Clervaux, o cantam em forma de gregoriano. Rossini, o escreveu em forma de ópera. Scarlatti, o escreveu para dez vozes...O "Stabat Mater" de Pergolesi, foi encomendado pela mais nobre ordem de cavaleiros da Nossa Senhora dos Pesares, em Nápoles, para execução em cada sexta feira de março na Igreja Franciscana de San Luigi, igreja ligada ao Palácio Real, onde os cavaleiros se encontravam para adoração.
sábado, 25 de junho de 2011
Rei Alfonso X, o sábio, e Santa Maria
A música foi muito importante na Idade Média. O Rei Alfonso X, o sábio, compos muitas músicas em homenagem à Nossa Senhora e Seus milagres. Essas músicas foram escritas por ele num livro chamado "Cantigas de Santa Maria" e se encontra no museu da Espanha. Há musicas de louvores à Nossa Senhora e também músicas contando os milagres feitos por Ela. Ao terminar de escrever o livro, Alfonso X ficou profundamente doente, chegando-se a pensar que iria morrer. Seus súditos disseram:
- "Já que o Rei era muito devoto de Nossa Senhora e lhe escreveu um livro de canções, coloquemos o livro em sua cabeça, como travesseiro, pois se morrer será sepultado com o livro que escreveu".
Mas grande é a misericória de Santa Maria. Colocando o livro sob a cabeça do Rei Alfonso X, este ficou milagrosamente curado. Levantando-se de seu leito, escreveu mais uma música para agradecer a Santa Maria e a colocou em seu livro também.
Ouçamos uma música de louvor a Santa Maria, chamada Rosa das rosas. Ela foi escrito na linguagem da época: Galaico-português.
Fonte: http://almascastelos.blogspot.com/search/label/Cantigas%20de%20Santa%20Maria
De Maria nunquam satis
Todos os dias, dum extremo da terra ao outro, no mais alto dos céus, no mais profundo dos abismos, tudo prega, tudo exalta a incomparável Maria. Os nove coros de anjos, os homens de todas as idades, condições e religiões, os bons e os maus.
Os próprios demônios são obrigados, de bom ou mau grado, pela força da verdade, a proclamá-la bem-aventurada. Vibra nos céus, como diz São Boaventura, o clamor incessante dos anjos: Sancta, sancta, sancta Maria, Dei Genitrix et Virgo; e milhões e milhões de vezes, todos os dias, eles lhe dirigem a saudação angélica: Ave, Maria..., prosternado-se diante dela e pedindo-lhe a graça de honrá-la com suas ordens.
E a todos se avantaja o príncipe da corte celeste, São Miguel, que é o mais zeloso em render-lhe e procurar toda a sorte de homenagens, sempre atento, para ter a honra de, à sua palavra, prestar um serviço a algum dos seus servidores.
Toda a terra está cheia de sua glória, particularmente entre os cristãos, que a tomam como padroeira e protetora em muitos países, províncias, dioceses e cidades. Inúmeras catedrais são consagradas sob a invocação do seu nome.
Igreja alguma se encontra sem um altar em sua honra; não há região ou país que não possua alguma de suas imagens milagrosas, junto das quais todos os males são curados e se obtêm todos os bens. Quantas confrarias e congregações erigidas em sua honra! Quantos institutos e ordens religiosas abrigados sob seu nome e proteção! Quantos irmãos e irmãs de todas as confrarias, e quantos religiosos e religiosas a entoar os seus louvores, a anunciar as suas maravilhas!
Não há criancinha que, balbuciando a Ave-Maria, não a louve; mesmo os pecadores, os mais empedernidos, conservam sempre uma centelha de confiança em Maria. Dos próprios demônios no inferno, não há um que não a respeite, embora temendo.
Depois disto é preciso dizer, em verdade, com os santos:
De Maria nunquam satis... Ainda não se louvou, exaltou, amou e serviu suficientemente a Maria, pois muito mais louvor, respeito, amor e serviço ela merece.
É preciso dizer, ainda, com o Espírito Santo: Omnis gloria eius filiae Regis ab intus – Toda a glória da Filha do Rei está no interior (Sl 44, 14), como se toda a glória exterior, que lhe dão, a porfia, o céu e a terra, nada fosse em comparação daquela que ela recebe no interior, da parte do Criador, e que desconhecem as fracas criaturas, incapazes de penetrar o segredo dos segredos do Rei.
Devemos, portanto, exclamar com o apóstolo: Nec oculus vidit, nec auris audivit, nec in cor hominis ascendit (1Cor 2, 9) – os olhos não viram, o ouvido não ouviu, nem o coração do homem compreendeu as belezas, as grandezas e excelências de Maria, o milagre dos milagres da graça, da natureza e da glória. Se quiserdes compreender a Mãe – diz um santo – compreendei o Filho. Ela é uma digna Mãe de Deus: Hic taceat omnis lingua – Toda língua aqui emudeça.
Meu coração ditou tudo o que acabo de escrever com especial alegria, para demonstrar que Maria Santíssima tem sido, até aqui, desconhecida, e que é esta uma das razões por que Jesus Cristo não é conhecido como deve ser. Quando, portanto, e é certo, o conhecimento e o reino de Jesus Cristo tomarem o mundo, será uma conseqüência necessária do conhecimento e do reino da Santíssima Virgem Maria. Ela o deu ao mundo a primeira vez, e também, da segunda, o fará resplandecer.
Fontes: (TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM - São Luís Maria Grignion de Montfort - 19ª edição – Editora Vozes – Petrópolis, 1992)
(A foto pertence a Revista Catolicismo de Maio de 2011 - Tiziano faz seu primeiro esboço – William Dyce, séc. XIX. Coleção privada)
terça-feira, 21 de junho de 2011
A Santíssima Trindade e Maria
Mãe de Deus Filho
A relação fundamental da Maria com respeito a seu Filho Jesus é a de sua Maternidade. Encontramos a fórmula venerada do Concílio de Éfeso, definida no ano 431: Maria é Mãe de Deus (Theotokos), como não duvidaram os Santos Padres em chamá-la. Assim a invocavam os fiéis já antes desse Concílio, no sigo IV e possivelmente no III. Em um papiro chegaram até nós as palavras da mais antiga oração Mariana que se rezou na Igreja, e que contém o título de Mãe de Deus aplicado a Maria: Sob sua misericórdia nos refugiamos, Oh Mãe de Deus! Não despreze nossas súplicas na necessidade, mas sim livra-nos do perigo, apenas pura, apenas bendita. A oração é muito significativa. Pela relação de Mãe que Maria tem com Jesus, compreende-se a singular eficácia de sua intercessão. A isto se deve que os fiéis, já nos primeiros séculos, fossem a Ela confidencialmente em sua necessidade e indigência.
Mas, inclusive antes de fixar a atenção na importância intercessora que se deriva de que Maria é Mãe de Deus, conviria sublinhar o relevo teológico de primeiro plano que o título encerra. Frente a Nestorio, são Cirilo de Alexandria e o Concílio de Éfeso compreenderam que o que estava em jogo era o dogma fundamental do cristianismo: que Jesus é Pessoa divina; que não há nele a não ser um único sujeito último de responsabilidade, que é a Pessoa do Logos. Isso permite dizer com verdade que Deus (e não só um homem) por nós padeceu, foi crucificado e inclusive sofreu a morte. É impressionante que para garantir esta verdade se recorresse a um título Mariano: a Santíssima Virgem é a Mãe de Deus.
Finalmente convém não esquecer que a Maternidade da Maria com respeito ao Filho de Deus associa sua existência a de seu Filho. Ela é a Mãe santíssima de Deus, que tomou parte nos mistérios de Cristo. Ela é a Nova Eva associada a Cristo, o Novo Adão, segundo uma temática que começou a desenvolver-se na Igreja a partir do século II. Se a primeira Eva dialogou com o demônio, desobedeceu a Deus e trouxe sobre o mundo morte e ruína, Maria, a Nova Eva, dialoga com o Anjo, obedece a Deus e traz para o mundo ao Salvador e, com Ele, a salvação.
Fonte: http://www.acidigital.com/Maria/santamaria/trindade.htm
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Significados do Manto Nossa Senhora de Guadalupe

A imagem da Morenita, como é chamada Nossa Senhora pelos mexicanos, assombrosa e inexplicavelmente se conserva em excelente estado, numa tela grosseira, como de estopa, e tão alta rala que, através dela, pode-se enxergar o povo e a nave da igreja.
Nisto podemos ver a mão de Deus, pois tal imagem não foi pintada por mãos humanas, e, ainda hoje, continua exposta no santuário construído no monte Tepeyac, conquistando corações mexicanos e de inúmeras nacionalidades que chegam com seus pedidos e agradecimentos.
Vejamos, portanto, o seu significado: partindo dos seus rasgos, passando pela simbologia indígena e chegando aos fenômenos que podem ser comprovados cientificamente, a Virgem de Guadalupe é sem dúvida uma aparição “dita sobrenatural”.
Podemos dizer que a imagem do sagrado manto é um cacho de símbolos, que reflete a identidade espiritual o cristão latino-americano; para compreender melhor esta explicação, sugerimos ter em mãos uma imagem de Nossa Senhora de Guadalupe.
O seu rosto moreno: representa a cor mestiça do povo nascente, tanto em relação à sua pele, quanto à cultura.
A túnica vermelho-palida: antes, a cor do deus sol asteca, do sangue e da vida, e agora, a cor do Sangue do verdadeiro Redentor Jesus Cristo.
O manto verde-azulado: antes, a cor dos imperadores astecas, e agora, a cor da imperatriz do mundo; cor que sintetiza o deus dos índios o deus-dois, masculino e feminino, e agora, cor da Mãe do Deus-homem.
Sol envolvendo a Virgem: simboliza a divindade do sol, eclipsada pela mãe de Deus e a seu serviço.
Lua sob os pés e estrelas no manto: é a reconciliação de toda a natureza: do sol, da lua e das estrelas, depois de um longo conflito cósmico, como contam os mitos astecas.
Anjo sob a Virgem: é o anunciador de um novo sol, o Sol da Justiça, Cristo, inaugurando assim uma nova era: a da fé e da graça.
As duas cruzes: a cristã, no pescoço, e a cruz solar indígena, sobre o ventre, simbolizando a harmonia da religião asteca com a fé cristã.
Outro dado interessante a destacar é que vários cientistas, ao fotografarem os olhos de Nossa Senhora, encontraram misteriosamente num deles a cena onde o índio João Diego se apresenta diante do bispo, caindo as rosas do manto e aparecendo a imagem impressa nela.
Podemos ver como a totalidade da preciosa imagem, sua própria pessoa, é diálogo e mistura de etnias e humanidades diferentes. Ela reza de mãos juntas, do modo dos espanhóis, mas também quase iniciando uma dança, que é para os índios a máxima forma de reverenciar a Deus, seu rosto é mistura de raças, e, revelando-se mãe de todos, assume a cor de seus filhos mais necessitados.
De olhos negros e pele morena, ao mesmo tempo em que consola, nos desafia a sermos colaboradores na tarefa evangelizadora. Rosto amável que, com seu misericordioso olhar, delicado e profundo, continua nos provocando a trabalhar pela construção de um mundo novo, repleto de paz, respeito e amor.
DETALHES DOS OLHOS:
O tamanho tão pequeno das córneas na imagem, cerca de 7mm a 8mm, descartam a possibilidade das figuras dos reflexos terem sido pintadas sobre os olhos. Devemos também ter em conta que o tecido, feito de fibras de Maguey, sobre qual a imagem foi estampada, é extremamente rudimentar e apresenta poros e falhas na costura, por vezes, maiores que os das córneas da imagem. Se com a tecnologia de que dispomos hoje é impossível criar ou reproduzir uma figura com tanta riqueza de detalhes, imagine para um artista no ano de 1531.
Os estudos dos olhos da Virgem de Guadalupe resultaram na descoberta de 13 pequenas imagens. Mas a surpresa não para por aí.

Primeiramente ampliou-se 1 mm da imagem 2.500 vezes. Um destes pontinhos microscópicos corresponde à pupila do Bispo Zumárraga (Que está por inteiro na pupila da Virgem) e foram ampliadas outras 1.000 vezes. Nela encontra-se novamente a imagem de Juan Diego mostrando o poncho com a imagem da Virgem de Guadalupe.
A imagem de (4)Juan Diego aparece duas vezes. Uma nos olhos da Virgem e outra nos olhos do Bispo que está nos olhos da Virgem.


Existe uma hipótese que diz que estas 13 figuras querem trazer uma mensagem da Virgem de Guadalupe para humanidade: que perante Deus, os homens e mulheres de todas as raças são iguais. Na opinião do doutor Aste, as figuras de 7 a 13 (grupo familiar indígena) são as mais importantes, pois estão no centro dos olhos, o que significa que a família é o centro do olhar compassivo de Maria. Poderia ser um convite da Virgem de Guadalupe a nos aproximarmos de Deus em família, especialmente nestes tempos em que está sendo tão desprezada e atacada.

O Dr. Aste, afirma que quando São Juan Diego foi recebido pelo (2) Bispo Zumárraga, a Virgem Maria estava presente; invisível, mas observando toda cena. Isto explica porque estão refletidas em seus olhos as imagens presentes. Quando São Juan Diego abriu o poncho e caíram as rosas, a imagem estampou-se, e em seus olhos levava o reflexo de todas as pessoas que testemunharam o milagre. Desta maneira, Deus quis nos deixar uma “fotografia” desta impressão milagrosa.
As Estrelas do Manto
12 de dezembro – Solstício de invernoNa terça-feira, 12 de dezembro de 1531 de nosso calendário (Calendário Juliano), ou 22 de dezembro do Calendário Astronômico dos indígenas, aconteceu à aparição da Virgem de Guadalupe no poncho de São Juan Diego. Na manhã deste mesmo dia, ocorreu o solstício de inverno que para as culturas pré-hispânicas significativa o sol moribundo que recobra vigor e retorna à vida.
12 de dezembro de 1531, pela manhã do solstício de inverno
Para os indígenas, o solstício de inverno era o dia mais importante de seu calendário religioso. O sol vencia as trevas e ressurgia vitorioso. Não é coincidência que a Virgem tenha apresentado seu Filho justamente neste dia, ficando claro para os índios que aquele que ela trazia em seu seio era o verdadeiro Deus.
Assista também ao vídeo sobre os olhos da Virgem
Fonte: Revista Milicia da Imaculada – Maio/2011
Visite o site da Milicia da Imaculada: http://www.miliciadaimaculada.org.br
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Martinho Lutero e a Virgem Maria
Martinho Lutero, Pai da Reforma Protestante, não questionava dogmas da Igreja em relação a Maria Santíssima. Pelo contrário, já li textos fantásticos seus sobre Maria. Então, donde surgiu esse "ódio" mortal dos Protestantes a Maria Santíssima? Chego a perguntar, o que Maria fez para que eles tenham tanta raiva?
Realmente Lutero não concordaria com a maioria das atitudes dos atuais protestantes em relação à Nossa Senhora. Por dever de justiça é necessário reconhecer que um protestante esclarecido não nutre desprezo pela Mãe de Jesus. Ele apenas nega que ela tenha alguma importância no projeto salvífico de Deus. Isto, porque nossos irmãos separados têm tanta ânsia de deixar claro que somente Jesus é o Salvador (e eles estão certos em afirmar isso), que terminam esquecendo que aqueles que estão em Cristo, no Espírito de Cristo, são membros do Corpo de Cristo e participam da missão de Cristo. Ao esquecerem isso caem em erro grave contra a fé apostólica – o erro contra a fé é o que chamamos de heresia. Os protestantes gostam de dizer “Só Jesus”. Ótimo! O problema é que eles compreendem o “só Jesus” como “Jesus só!”, um Jesus sozinho, que não é Cabeça do Corpo da Igreja, que não nos uniu a Ele desde o batismo, na força do seu Espírito Santo.
Todos os que são batizados em Cristo participam da missão de Cristo. Tantos e tantos textos da Escritura dizem isso. Basta recordar que os próprios protestantes rezam uns pelos outros. Ora, se eu rezo por alguém, estou intercedendo por essa pessoa... Mas, não é somente Jesus o intercessor?! Mas, a Escritura manda que rezemos uns pelos outros! E por quê? Porque todo aquele que está em Cristo, reza no Espírito de Cristo, a ponto de poder dizer: “Já não sou eu quem reza, é Cristo que reza em mim!” Ora, mais que todos, a Virgem Santíssima foi totalmente cheia do Espírito do Cristo, de modo que sua oração materna é oração em Cristo, no Espírito de Cristo, em nada obscurecendo a mediação única de Cristo. Pelo contrário: é a mediação única de Cristo que atua em Maria, nos santos e em nós, quando rezamos uns pelos outros. Se nossos irmãos protestantes dizem que a Virgem não pode cooperar na obra da salvação, eles também não podem! Não podem sequer rezar uns pelos outros!
A Escritura revela, ao contrário, um papel realmente importante da Virgem no plano de Deus: ela é a “Mulher” prefigurada no Gênesis, Mãe daquele que esmaga a cabeça da serpente (cf. Gn 3,15; Jo 2,4; 19,26; Gl 4,4; Ap 12,1s); ela é a verdadeira Eva, Mãe dos verdadeiros viventes em Cristo (cf. Gn 3,20, Jo 19,26). Somente uma leitura fundamentalista e fora da Tradição, que é o ambiente no qual a Escritura pode ser retamente compreendida, pode dar lugar a uma interpretação redutiva e pobre do papel da Virgem Maria! É uma das graves lacunas da profissão de fé protestante!
Quanto ao “ódio” à Maria, geralmente é próprio dos pentecostais e neo-pentecostais, bem como de algumas outras seitas aqui do Brasil que, além de um fundamentalismo deplorável padecem de uma ignorância visceral. Muito desse ódio é pura e simplesmente para agredir os católicos. É de lamentar e é para ter pena. Rezemos pelos nossos irmãos à Virgem Santíssima, que é Mãe de todos os discípulos de Jesus – também daqueles que não gostam dela!
Recordo um belíssimo texto parte de uma declaração de um grupo de teólogos anglicanos, luteranos, reformados (todos protestantes!), ortodoxos e católicos reunidos em nome de suas igrejas na ilha de Malta, nos dias 8-15 de setembro de 1983. Ei-lo:
1. Todos reconhecemos a existência da Comunhão dos Santos como comunhão daqueles que na terra estão unidos a Cristo, como membros vivos do seu Corpo Místico. O fundamento e o ponto central de referência desta comunhão é Cristo, o Filho de Deus feito homem e Cabeça da Igreja (cf. Ef 4,15-16), para nos unir ao Pai e ao Espírito Santo.
2. Esta comunhão, que é comunhão com Cristo e entre todos os que são de Cristo, implica uma solidariedade que se exprime também na oração de uns pelos outros; esta oração depende daquela de Cristo, sempre vivo para interceder por nós (cf. Hb 7,25).
3. O fato mesmo de que, no céu, à direita do Pai, Cristo roga por nós, indica-nos que a morte não rompe a comunhão daqueles que durante a própria vida estiveram unidos em Cristo pelos laços da fraternidade. Existe, pois, uma comunhão entre os que pertencem a Cristo, quer vivam na terra, quer, tendo deixado os seus corpos, estejam com o Senhor (cf. 2Cor 5,8; Mc 12,27).
4. Neste contexto, compreende-se que a intercessão dos Santos por nós existe de maneira semelhante à oração que os fiéis fazem uns pelos outros. A intercessão dos Santos não deve ser entendida como um meio de informar Deus das nossas necessidades. Nenhuma oração pode ter este sentido a respeito de Deus, cujo conhecimento é infinito. Trata-se, sim, de uma abertura à vontade de Deus por parte de si mesmo e dos outros, e da prática do amor fraterno.
5. No interior desta doutrina, compreende-se o lugar que pertence a Maria Mãe de Deus. É precisamente a relação a Cristo que, na Comunhão dos Santos, lhe confere uma função especial de ordem cristológica... Maria ora no seio da Igreja como outrora o fez na expectativa do Pentecostes (cf. At 1,14). Quaisquer que sejam nossas diferenças confessionais (=de religião), não há razão alguma que impeça de unir a nossa oração a Deus no Espírito Santo com a liturgia celeste, e de modo especial com a Mãe de Deus.
Este documento é assinado por teólogos e pastores luteranos, anglicanos, reformados, bem como por teólogos ortodoxos e católicos!
WWW.domhenrique.com.br
terça-feira, 14 de junho de 2011
A Mãe mais louvada
Presença de Maria na Liturgia
Desde o início da Igreja, Maria ocupa um lugar de destaque, tanto na Liturgia Oriental como na Ocidental. Constatamos sua presença nas festas marianas, nas Orações Eucarísticas, nos hinos, na arte-sacra, na teologia dos Concílios e na vida da Igreja. Trata-se de uma presença histórica, teologicamente refletida e liturgicamente celebrada, com conseqüências espirituais e pastorais.
A partir do Concilio de Éfeso (431) ocorre uma verdadeira explosão do culto mariano, com o surgimento de festas e expressões artísticas diversas nos hinários e na arte-sacra.
A arqueologia testemunha um antiqüíssimo culto a Maria, Mãe do Messias sobretudo em Nazaré e Belém. Surgem também muitos textos apócrifos sobre a vida de Maria (Proto-evangelho de Tiago; Odes de Salomão; Oráculos Sibilinos). Ao século III pertence, certamente, uma das primeiras invocações a Maria como Mãe de Deus (THEOTOKOS), conhecida, no Ocidente, como a invocação "Sub tuum praesidium".
O Concilio de Éfeso influenciou sobremaneira o desenvolvimento do culto mariano. A proclamação do dogma da Maternidade Divina de Maria foi decisiva para a presença de Maria na Liturgia, tanto nos textos eucológicos (orações) como nos hinários.
Em Jerusalém, logo após a proclamação de Éfeso, encontramos a memória de Maria celebrada em 15 de agosto.
No Ocidente, se desenvolve a comemoração de Maria no Advento.
Em Roma, a mais antiga memória da Mãe de Deus surgiu após o Natal.
No Oriente, se difundiu a celebração da Anunciação, em tomo de 25 de março.
Novas celebrações apareceram a partir do século VI: A Dormição de Maria, Natividade de Maria, Apresentação de Maria no Templo e a Concepção de Maria.
Pelo século XI, na Inglaterra, surgiu a festa da concepção Virginal de Maria, mas não foi acolhida logo em toda a parte.
O Concílio Vaticano II procurou esclarecer tanto a missão da Bem-Aventurada Virgem Maria no mistério do Verbo Encarnado e no Corpo Místico, como os deveres dos homens remidos para com a Mãe de Deus, Mãe de Cristo e dos homens, mormente dos fiéis (LG 54).
A memória de Maria está, portanto, inteiramente relacionada com a vida de Cristo, particularmente com o mistério da Encarnação. Isso acontece sobretudo nos momentos centrais da Liturgia (Orações Eucarísticas e Profissão de Fé batismal).
Fundamentação do Culto Mariano
A doutrina da Igreja foi sendo sistematizada, nos últimos tempos, através de vários documentos, dentre outros:
Leão XIII
» Encíclica sobre o rosário de Nossa Senhora;
Pio XII
» Alocuções às Congregações Marianas, 21/01/45;
» Constituição Apostólica sobre a Assunção de Nossa Senhora, 1950;
Paulo VI
» Encíclica "Christi Matri Rosarii" 15/09/66;
» Exortação Apostólica "Signum Magnum", 13/05/67;
» Carta ao Congresso Mariológico-Mariano de São Domingos, 02/02/65;
» Exortação Apostólica "Marialis Cultus", 02/02/74;
Vaticano II
» Lumen Gentium, cap. Vm;
» Documento de Puebla;
João Paulo II
» Encíclica Redemptoris Mater", 25/03/87;
» Encíclica sobre o rosário de Nossa Senhora;
Pio XII
» Alocuções às Congregações Marianas, 21/01/45;
» Constituição Apostólica sobre a Assunção de Nossa Senhora, 1950;
Paulo VI
» Encíclica "Christi Matri Rosarii" 15/09/66;
» Exortação Apostólica "Signum Magnum", 13/05/67;
» Carta ao Congresso Mariológico-Mariano de São Domingos, 02/02/65;
» Exortação Apostólica "Marialis Cultus", 02/02/74;
Vaticano II
» Lumen Gentium, cap. Vm;
» Documento de Puebla;
João Paulo II
» Encíclica Redemptoris Mater", 25/03/87;
Uma perspectiva teológica mais completa da presença de Maria na Liturgia é recente. Tradicionalmente se restringia à consideração da sua maternidade divina. Alguns documentos do Vaticano II abordam explicitamente a figura de Maria (LG 50; 66-67; UR 15; SC 103).
Diz a Sacrosanctum Concilium: "Nesta celebração anual dos mistérios de Cristo, a Santa Igreja venera com especial amor a Bem-Aventurada Mãe de Deus Maria que, por um vínculo indissolúvel, está unida à obra salvífica de seu Filho; nela admira e exalta o mais excelente fruto da Redenção e a contempla como puríssima imagem daquilo que ela mesma anseia e espera ser" (sc i03).
Diz a Sacrosanctum Concilium: "Nesta celebração anual dos mistérios de Cristo, a Santa Igreja venera com especial amor a Bem-Aventurada Mãe de Deus Maria que, por um vínculo indissolúvel, está unida à obra salvífica de seu Filho; nela admira e exalta o mais excelente fruto da Redenção e a contempla como puríssima imagem daquilo que ela mesma anseia e espera ser" (sc i03).
O documento de Puebla considera Maria mãe e modelo da Igreja (282-293), modelo também para a vida dos homens (294-297), bendita entre todas as mulheres (298-299), modelo de serviço eclesial na América Latina (300-303): "Deus fazendo-se carne por meio de Maria, começou a fazer parte de um povo e constituiu-se o centro da história.
Maria é o ponto de união entre o céu e a terra. Sem Maria desencarna-se o Evangelho, desfigura-se e transforma-se em ideologia, em racionalismo espiritualista" (p. 30i).
Puebla considera Maria como a realização mais eminente da evangelização (282, 333), Mãe da nova vida (288), colaboradora ativa na redenção (293), serva dos homens (294), garantia da grandeza feminina (299), exemplo para a mulher (844) e modelo da vida consagrada (745).
MARIA, Estrela da Evangelização
Maria, como estrela da evangelização, está presente na missão da Igreja que introduz no mundo do Reino do seu Filho. A presença de Maria, nos dias de hoje, como aliás ao longo de toda a história da Igreja, encontra múltiplos meios de expressão.
Seu multiforme raio de ação se expressa mediante a fé e a piedade dos fiéis, as tradições das famílias cristãs, as comunidades paroquiais e missionárias, mediante o poder de atração e irradiação dos grandes santuários, onde, não apenas as pessoas individualmente ou grupos locais, mas, por vezes, inteiras nações e continentes procuram o encontro com a Mãe do Senhor, como aquela que é feliz porque acreditou e por isso se tornou a Mãe do Emanuel (Redemptorie Mater n.º 28).
Maria mãe e modelo
Na "Redemptoris Missio", o Papa diz que toda a Igreja é convidada a viver mais profundamente o mistério de Cristo, colaborando, com gratidão, na obra da salvação. Fá-lo-á com Maria e como Maria, sua mãe e modelo.
É ela, Maria, o exemplo daquele amor materno do qual devem estar animados todos aqueles que, na missão apostólica, cooperam para a regeneração dos homens. Por isso, "confortada pela presença de Cristo, a Igreja caminha no tempo para a consumação dos séculos, indo ao encontro do Senhor que vem.
Nesta caminhada, a Igreja procede seguindo as pegadas do itinerário percorrido pela Virgem Maria" (RM n. 92).
Fonte: Pe. Valter Mauricio Goedeut Instituto Teológico de SC (Itesc) Florianópolis, SC
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